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Noticias: Lançamento de Roque Santeiro em DVD - A Tecnologia é um milagre

Os 25 da histórica novela Roque Santeiro marca primeiro lançamento do gênero em DVD



Por um desses mistérios de Roque, o santo que não morreu, a gente bem que demorou a localizar alguém disposto a responder sobre os critérios que determinaram o compacto de 209 capítulos de uma produção histórica em 16 DVDs. Se Dias Gomes e Paulo Ubiratan, diretor-geral da novela, já não estão entre nós, e Aguinaldo Silva não participou da edição, quem poderia falar sobre o lançamento da primeira telenovela em DVD, honrando suas Bodas de Prata?
Soube-se então que Marcos Paulo, diretor de núcleo da Globo, à época integrante da equipe de Ubiratan, deu o Ok final na atual edição. "O que fizemos agora foi editar para que coubesse em 16 DVDs", disse ele ao Estado, por e-mail intermediado pela assessoria de imprensa da Globo Marcas. Longa jornada, enfrentou Roque. "Enxugamos algumas tramas paralelas, sem cortá-las totalmente, mantendo a estrutura principal. Não dá para dizer exatamente que cenas foram cortadas, a história está lá, sua integridade foi mantida, e eu aprovei a edição final."

Ele não exagera. Eventualmente, acontece de algum personagem comentar que irá a um jantar logo mais e de, na cena noturna seguinte, surgir em outro compromisso. Mas a trama de fato está lá, inteirinha, palatável ao apetite do telespectador de DVD, e bem alinhavada na edição - com a vantagem de não irritar essa plateia que sempre se resignou em ver sua novela interrompida todo dia, justamente na sequência de maior suspense.
Roque Santeiro foi submetida a remasterização de áudio e tratamento de imagem capaz de realçar as cores impressas em videoteipe 25 anos atrás. Obra da tecnologia, amém.
O mesmo Marcos Paulo gravou com Lima Duarte (até hoje conhecido em Cuba como Sinhozinho Malta), Regina Duarte, a Porcina, e José Wilker, o Roque em pessoa, breves depoimentos para o DVD, atestando a importância histórica do título de maior audiência já alcançada na TV brasileira.
O melhor extra, no entanto, é a oportunidade de assistir aos dois finais gravados na época: aquele em que Porcina fica com Sinhozinho, levado ao ar, e o que ela embarca no avião com Roque. Mais Casablanca, impossível. Até uma sonora de As Time Goes By foi usada na ocasião, deixando clara a referência ao filme com Humphrey Bogart. Foi ideia de Dias Gomes.
Adaptação da peça O Berço do Herói, de Dias Gomes, Roque Santeiro nasceu como novela dez anos antes, em 1975, mas foi censurada pela Delegacia de Ordem Política e Social, o Dops, na véspera de sua estreia. Inconformado, Roberto Marinho assinou editorial publicado no jornal O Globo e lido por Cid Moreira no Jornal Nacional. Dizia que seria a primeira novela em cores das 8 e que a emissora havia empregado grande esforço em sua produção. A Censura já havia aprovado os 20 primeiros capítulos escritos, ordenando cortes aqui e ali, mas depois pediu novos cortes e sua exibição após as 22 horas. A trama ficaria incompreensível. "A novela contém ofensa à moral, à ordem pública e aos bons costumes, bem como achincalhe à Igreja", justificava o Dops.
Roque Santeiro tem dois padres: Hipólito (Paulo Gracindo), conservador, e Albano (Cláudio Cavalcante), progressista, que se apaixona pela filha de Sinhozinho, Tânia (Lídia Brondi). É ele quem se dispõe a questionar os milagres atribuídos a Roque e o faturamento que sua lenda representa para a pequena Asa Branca, cidade onde se passa a história, retratada como microcosmo do Brasil. Lá estão a igrejinha, a delegacia, a prefeitura, a boate, o hotel e o coronel. Mas está também esse falso mito de santo milagreiro, Roque, de quem se diz que morreu defendendo seu canto.
Acontece que Roque ressurge vivo no meio da história, representando um risco para o comércio de Zé das Medalhas (Armando Bogus), o turismo local, assim abastecido pelo prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura), e para Porcina, que se anunciava como viúva de Roque, sem nunca tê-lo conhecido. A volta do santo que não morreu também bota a perder os investidores do filme que àquela altura está sendo produzido sobre sua saga, com Fábio Jr. no papel de Roque e Patrícia Pillar, então estreante na TV, escalada para ser Porcina.
Fé & lucros - Embora a caixa de DVD estampe lá a tentadora informação "Edição limitada", o diretor de licenciamentos da TV Globo, Luiz Bartolo, informa que a empresa não divulga quantos exemplares foram feitos para Roque. "Este é um projeto que realmente mereceu toda a nossa atenção. Não podíamos lançar um produto que frustrasse as pessoas, que acabasse virando um ‘trailer’", explica o diretor.
Deboche crítico à indústria que lucra com mitos e milagres, Roque Santeiro mantém intacto o caráter atual, surpreende pela quantidade de grandes atores em cena e pela trilha sonora, um choque bem-vindo aos destreinados ouvidos noveleiros de hoje em dia. No conjunto da obra, com perdão do lugar comum, Roque Santeiro trazia de fato, como anunciava Moraes Moreira na música de abertura, "Deus e o Diabo na Terra". Um palpite? Vale a pena ver e rever de novo.
fonte: O Estado de SP

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